
A pesquisa desenvolvida por Marcella Duque da Silva, defendida em 2024, teve como objetivo principal compreender a relação entre o ambiente construído e o desenvolvimento motor da criança na fase da primeira infância. Estudou-se as necessidades da criança na primeira infância e a importância de o ambiente construído estar adequado à escala antropométrica, oferecendo funcionalidade no uso autônomo do ambiente. Isso possibilitou, por meio da organização e do mobiliário, à criança experiências de motricidade livre que contribuem para seu desenvolvimento.
A ergonomia do ambiente construído estuda as relações entre o usuário e o ambiente na realização de atividades cotidianas, com base na adequação do ambiente às necessidades e desejos humanos. Esse tema proporciona meios para propor uma análise que forneça um ambiente acessível ao usuário da primeira infância.
A pesquisa assumiu um desenho interdisciplinar e qualitativo, que utiliza estratégias da neurociência para compreender as necessidades da criança na primeira infância e como a qualidade do ambiente impacta no comportamento do usuário. O ambiente educacional precisa comunicar os princípios da abordagem que orientam as práticas pedagógicas aplicadas no direcionamento da aprendizagem e do desenvolvimento, oferecendo ao seu usuário um ambiente que propicie essas práticas.
A importância do contato da criança com um ambiente que lhe proporcione experiências autônomas em segurança para sua mobilidade livre, e que esteja de acordo com sua escala antropométrica. Foram analisadas as interações das crianças com os elementos que compõem a organização do ambiente, além de registros fotográficos e em vídeo, para elaborar o mapeamento do ambiente construído e o mapa comportamental do usuário.
Uma inovação do estudo foi a aplicação da Escala de Avaliação de Ambientes de Educação Infantil – ITERES-3, esse método de observação no ambiente da pré-escola serve para analisar a qualidade do espaço, em associação a abordagem ergonômica sobre os elementos do ambiente. Ao investigar a interação das crianças com os espaços e materiais organizados de forma a estimular a motricidade livre, a pesquisa buscou contribuir para a criação de ambientes educacionais que respeitem as necessidades específicas dessa faixa etária, favorecendo a autonomia e o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.
Os resultados da pesquisa fornecem subsídios valiosos para arquitetos, designers e educadores na construção de espaços que não apenas atendam às necessidades funcionais e estéticas, mas que também sejam verdadeiros facilitadores do desenvolvimento infantil. Com isso, pretende-se incentivar a criação de ambientes que, além de seguros, ofereçam condições para que as crianças possam viver suas experiências de forma plena, com liberdade, segurança e o estímulo contínuo à exploração e à criatividade.
A dissertação completa pode ser acessada no diretório de dissertações e teses da UFAL.
